Reflexão para o domingo, 2 de maio

Referente ao perícope de João 16, 1-15

Após longo período de tempestades e escuridão, de repente surge um dia de sol. Sair para caminhar nesse dia ensolarado traz um prazer redobrado em contraste com os dias em que as nuvens escuras encobriam o sol. Mesmo sabendo que isso não ia durar, muitas vezes não é tão fácil manter um estado de espírito positivo. Mas toda tristeza fica para traz com o despertar de um dia brilhante de sol.
Toda despedia é triste e podemos imaginar como foi triste para os apóstolos de Jesus saber que ele não mais estaria com eles pouco antes da ascensão, quando ele diz que vai para o Pai. Jesus trata de consolar seus discípulos, sabendo de todas as agruras, sofrimentos e morte violenta que iriam sofrer com a perseguição dos judeus. Mas o consolo de Jesus ressuscitado para os discípulos, é o de não se entristecerem, pois ele enviará o consolador, o advogado, o paráclito. Este é o Espírito Santo que traz o entendimento, o esclarecimento, a luz da revelação. Sabemos que os discípulos de Jesus só estarão preparados para levar à frente sua missão de evangelização e criação de comunidades a partir de Pentecostes, que é o cumprimento da promessa de envio do Paráclito. Mais de dois mil anos depois, podemos nos perguntar como O Cristo nos consola diante da onda de descrença, tristeza, medo e desespero marcados pelas crises de nossos tempos. Por meio do Espírito Santo, o Cristo nos acompanha até o fim dos tempos, e as crises são oportunidades para despertar do sono de ilusão oferecido por um suposto conforto, que depois de alguma reflexão percebemos que na verdade não oferece consolo algum. A força do Espirito é o que nos move para frente e cria uma perspectiva abrindo nossos olhos para que possamos ver o que é bom e o que nos prejudica. Ele nos ajuda a entender os mistérios da vida, dando-nos força interior quando falta coragem e imaginação. Ele é um construtor de pontes: ele cria o novo começo e, assim, se conecta com a essência do que não pode perecer. O Espírito nos desperta do sono da insensatez e da ilusão, mantendo a nossa consciência desperta e nos indica caminhos, mostrando a luz brilhante do sol de um novo dia.

Carlos Maranhão