Reflexão para o domingo, 11 de agosto de 2024

Referente à perícope do Evangelho de Lucas 9, 1-17

Somos enviados como os discípulos. Enviados do mundo espiritual para a Terra. E como eles, não podemos levar nada. Mas, diferentemente deles, não nos lembramos da nossa meta de vida, da nossa tarefa aqui na Terra.

Durante a via terrena moramos na casa do nosso corpo. Ele nos dá a possibilidade de atuar no mundo. No momento da morte saímos dessa casa novamente.

Para que somos enviados para a Terra?

O envio dos discípulos nos dá uma indicação. Como eles somos envidados para anunciar a boa nova do reino dos céus. Para trazer o espiritual para a Terra. Para unir esses dois mundos e assim transformá-los.

Nesse caminho trabalhamos em harmonia com as forças celestiais e com todos que acordam para essa meta de vida. Trabalhamos para o futuro do Cosmo inteiro.

Julian Rögge

Reflexão para domingo, 4 de agosto de 2024

Evangelho de Mateus 7:1-14

Numa densa floresta ao entardecer, a luz dourada filtra-se através da copa das árvores altas,
lançando sombras salpicadas em um riacho tranquilo que flui suavemente sobre pedras lisas.
No primeiro plano, uma pessoa senta-se calmamente sobre uma grande rocha, meditando
com os olhos fechados, cercada pelos sons dos pássaros e pelo farfalhar das folhas. A quietude
e a tranquilidade da cena estimulam esse indivíduo a buscar a essência de não julgar e
simplesmente ser. Essa imagem nos remete ao chamado do templo de Apolo na Grécia antiga:
“conhece-te a ti mesmo”, que aponta, no transcorrer da história da humanidade, ao propósito
de o ser humano alcançar, no cume da sua evolução, o fundamento do seu próprio ser. 
Enquanto permaneço no dualismo da condição terrena, sem o vínculo com esse
fundamento, faço julgamentos sobre mim e sobre os outros, mas, desse modo, dificilmente
conhecerei a mim mesmo ou ao outro, pois eu não posso de fato fazer julgamentos. O preceito
de Cristo no Sermão da Montanha, “não julgueis para que não sejais julgados” não é apenas
um preceito moral a ser obedecido. Trata-se da condição natural do ser quando alcança a
plenitude do seu próprio ser. Ele não julga mais, ele só ama, e não é que ele ame por
obediência a um preceito, ele ama porque essa é a condição natural do seu ser. No ser puro
ele resgata a sua unidade com o todo, do qual se separou pelo pecado original, entendendo-se
este como viver num mundo separado do divino – um fato, na verdade, impossível, portanto
ilusório – o mundo de Maia. 
Na nossa vida comum, isso parece algo impossível, pois estamos sempre fazendo
julgamentos com base em sentimentos pessoais, ideias preconcebidas, crenças etc. Será que é
possível imaginar a liberação que poderia ser vivida, caso tivéssemos a experiência do puro
ser, desprendendo-nos de todas as amarras psíquicas, sociais, morais? Essa é a proposta de um
caminho meditativo, de silenciar esse ego julgador. Para isso, não necessitaríamos fugir do
mundo, exilarmo-nos como um eremita numa caverna, mas meramente ter a disposição de
separar momentos no nosso cotidiano para contemplar a natureza em busca de puramente
ser.

 Carlos Maranhão 

Reflexão para o domingo, 30 de junho de 2024

Evangelho de Marcos 1:1-11

Imaginemos um vasto deserto árido. O sol bate implacavelmente, o solo está rachado e seco, e o ar está denso com silêncio. No meio dessa desolação, um único broto verde emerge, um símbolo de vida e esperança onde nada parecia possível. Este é o cenário onde ouvimos pela primeira vez a voz poderosa de João Batista, clamando por mudança, anunciando a vinda de algo verdadeiramente transformador. João Batista é o precursor de Jesus Cristo, cuja voz ecoou no deserto, chamando as pessoas ao arrependimento. Mas hoje, enfrentamos um tipo diferente de deserto: o deserto de nossas almas. É um lugar dentro de nós onde nossos desejos mais profundos estão escondidos, sufocados pela secura de nossos tempos. Vivemos em uma era cheia de barulho e distração, onde a voz interior de nossa alma não encontra saída para se expressar. O chamado de João ao arrependimento não foi apenas um chamado para lamentar pecados passados. A palavra grega para arrependimento, “metanoia”, significa uma mudança de mentalidade, uma transformação de toda a nossa perspectiva. É uma mudança profunda em como vemos o mundo, a nós mesmos e a Deus. Nestes tempos difíceis, devemos permitir que este clamor por mudança penetre nas grossas camadas de negação que construímos ao nosso redor. O espírito de João Batista continua a atuar em nosso mundo hoje, preparando o caminho para recebermos Cristo em nossos corações. Ele nos desafia a entrar no deserto de nossa alma, a ouvir esse clamor interior por mudança e a abraçar uma nova maneira de pensar e viver. Então ouçamos a voz que clama no deserto. Encontremos a coragem de entrar nos lugares áridos dentro de nós, enfrentando a secura de nossos tempos e respondendo ao chamado por “metanoia”, uma mudança de mente e coração. Permitamos que Cristo transforme nossas vidas e renove nosso mundo. Ao nos prepararmos para receber Cristo em nossas almas, lembremo-nos de que, mesmo nos lugares mais desolados, uma nova vida pode surgir e a esperança pode florescer.  

Carlos Maranhão

Reflexão para o domingo, 23 de junho de 2024

Referente à perícope do Evangelho de Lucas 19:1-10
Zaqueu, o Sicofanta – delator de ladrões de figos

 Na antiga Atenas existiu a função de delator de ladrões de figos. Ou seja, alguém que denunciava pessoas que exportavam figos de Atenas sem permissão oficial. Em grego, o termo é: συκοφάτης (sykophántes), em português, sicofanta. Etimologicamente, sicofanta provém de duas outras palavras, sykon: figo e phaino: tornar evidente.

Um sicofanta era um informante pago, alguém cujo trabalho consistia em delatar outras pessoas. Com o tempo, a palavra passou a ser usada também para os caluniadores, para os chantagistas, posto que muitos sicofantas se aproveitavam da situação para chantagear. Depois, ainda no mundo grego antigo, a palavra passou a ser usada também como insulto.

No relato do Evangelho de Lucas, ouvimos falar de um chefe dos coletores de impostos, Zaqueu, que subiu num sicômoro (um tipo de figueira) para ver Jesus. Em conversa com Cristo, em sua casa, Zaqueu se reconheceu como um sicofanta, um chantagista, mas que estava determinado a mudar e restituir quatro vezes mais à pessoa que enganou ou chantageou.

Zaqueu, o sicofanta, que se tornara um chantagista como os delatores de ladrões de figos, havia subido numa figueira. Em cima da figueira ele foi visto, Zaqueu foi reconhecido no fundo de sua alma por Cristo. Cristo o chama pelo próprio nome, pois o reconheceu. Ele reconheceu nele o chantagista. Ele viu em cima da figueira o delator de ladrões de figos.

E Cristo lhe disse: “Desce rápido daí!” Zaqueu, que fez fortuna à custa dos outros, que construiu sua existência em cima da chantagem, em cima da ganância, precisa primeiro descer de cima da figueira, ele precisa abdicar do que fazia. E Zaqueu fez isso. Ele desceu e convidou Jesus para entrar em sua casa. 

Há três momentos importantes nessa história: O ser humano Zaqueu (1) que se mostra, dá-se a conhecer, (2) que está pronto para descer, para fazer uma mudança na vida e (3) que o convidou à sua casa.

O ser humano muitas vezes gostaria de poder ter um encontro, em sua alma, em seu espírito, com o Cristo, com o  Filho de Homem. Gostaríamos de convidá-lo a nos visitar. Entretanto, antes de convidá-lo, como na narrativa de Zaqueu, devemos também estar cientes de que primeiro é preciso mostrar-se, deixar-se reconhecer (ou, em termos modernos, praticar o autoconhecimento) e que também é preciso estar preparado para descer, estar pronto para mudar e transformar o que ainda está turvo na alma. Só então, após o autoconhecimento, após dar início a transformação, podemos convidá-lo. Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que no ser humano se extraviou e se perdeu.

Renato Gomes

Reflexão para o domingo, 16 de junho de 2024

Referente à perícope do Evangelho de João 1, 43-51

Quando Natanael ouve o relato de Felipe, ele duvida. Poderia sair algo bom? Mesmo assim, ele fica aberto, encontra o Cristo, é reconhecido e reconhece o Cristo como o esperado Messias.

No nosso dia a dia, nos encontros com outras pessoas, passamos por esses passos. Primeiro duvidamos. Pode sair algo bom desse encontro? Se estivermos abertos, criamos a chance de sermos reconhecidos e de reconhecermos o outro. Algo novo pode se formar no encontro.

Na relação com o mundo espiritual, com o Cristo, podemos passar pelos mesmos passos. Primeiro duvidamos. Ficando aberto, damos a possibilidade de sermos reconhecidos e de conhecer o mundo espiritual, pouco a pouco. Assim, pode se realizar o que Cristo promete para Natanael: que vimos o céu aberto e as hierarquias celestiais descendo e atuando aqui na Terra.

Julian Rögge

Reflexão para o domingo, 9 de junho de 2024

Referente à perícope do Evangelho de João 3 – A samaritana no poço

A alma humana foi concebida por Deus, foi escolhida e predestinada para ser a noiva, um dia ornada para o seu matrimônio com o Espírito, para a sua união mística com o divino. Essa foi realmente a imagem vislumbrada por João Evangelista em Patmos na sua visão do Apocalipse. A nova Terra descia do céu, a Nova Jerusalém chegava como uma noiva enfeitada. Justamente a noiva estava ornada, pois sua corporalidade não estava restrita à sua natureza terrena e transitória, mas estava vestida com vestes espirituais, vestes tecidas pela luz do Cristo. Como Paulo falava: devemos nos vestir com o Cristo. De fato, os primeiros cristãos batizados se vestiam de branco para celebrar a eucaristia.

Esse vestido de noiva é tecido pelo Eu Sou em Cristo, na medida em que supera a estrita natureza transitória da alma e fundamenta sua existência no espírito. Com essa veste de luz a noiva estará apta para celebrar a união mística com o Cristo, conquistando a vida eterna. Essa veste brilhará pelas qualidades do amor, da fé e da esperança.

Para que isso aconteça e se torne uma realidade, Cristo se dirige várias vezes a cada um de nós no caminho da vida, pedindo de beber. Essa bebida que oferecemos ao Cristo é a nossa “confissão” – nosso reconhecimento de sua natureza divina e nossa disposição para segui-lo. E na medida em que oferecemos essa bebida, recebemos nós mesmos do Cristo o cálice com o seu sangue, o vinho transfigurado, a água da vida eterna.

A samaritana é a representante da alma humana, que ainda está muito apegada à sua condição terrena, mas por outro lado, tem um sentido inato para o sagrado, para o divino. Jesus Cristo é o representante do Eu Sou, o noivo místico.

Geralmente a noiva se prepara bem cedo para o casamento. Também a alma humana, desde que despertou no íntimo do ser humano, vem se preparando, desde as antigas culturas pré-cristãs, para o matrimônio com o espírito. Nessas culturas, essa união se dá pela orientação e guia dos mundos espirituais, até que essas vão se esgotando e o laço com o mundo divino fica ameaçado de se romper. Em compensação, a consciência individual desperta e com isso a chance do verdadeiro e eterno casamento místico. Ele se dá na luz do autoconhecimento, na luz que revela as origens e também as metas espirituais da humanidade. Essa luz se revela no encontro da alma individual com o Cristo, como o encontro da samaritana com Jesus Cristo, que se dá no coração da Palestina, na Samaria, entre o polo de vida da Galileia (o mar da Galileia) e o polo de morte da Judeia (o mar Morto). O encontro se dá no momento presente, entre o legado do passado e o apelo do futuro.

O encontro não se dá num determinado ponto geográfico, mesmo que sagrado. Ele acontece interiormente, num espaço livre de preconceitos e metas predeterminadas, no encontro com a verdade. É assim que a samaritana começa a se ligar com o Cristo e imediatamente se torna sua seguidora. Ela anuncia o caminho para cada ser humano: estar sempre atento às perguntas e tarefas apresentadas pelo destino, cultivar o sentido para o espiritual, aprender a se guiar pela meta espiritual do futuro, que começa agora, viver com uma pergunta latente com confiança na providência divina. Anunciar a chegada do noivo!

Nós sabemos o caminho, basta agora nos colocar a caminho!             

Helena Otterspeer

Reflexão para o domingo, 2 de junho de 2024

Referente à perícope do Evangelho de João 3, conversa com Nicodemos

Todos conhecemos recintos ou ambientes que nos agradam. Por exemplo, um lugar onde regularmente nos encontramos com pessoas amigas, cuja companhia e as conversas nos agradam. Ou mesmo uma sala de aula ou de reunião, onde durante longo tempo ouvimos e aprendemos coisas que foram significativas para nós. Ou ainda um lugar de recolhimento e meditação coletivo, onde nos sentimos resguardados e serenos para orar ou
simplesmente mergulhar no silêncio. 

E de repente algo muda. Talvez um único aspecto, mas logo notamos que o ambiente se modificou: As cortinas foram retiradas, por exemplo, ou as paredes estão com outra cor, ou a qualidade da luz no recinto se modificou…

Como lidamos com tais mudanças? Sentimos a falta deste ou daquele elemento como uma perda? A mudança disto ou daquilo me incomoda?

Toda mudança potencialmente traz consigo um incômodo, mas traz também algo desafiador. Cada mudança em um ambiente familiar e protegido pode ser muito perturbadora, porque novos elementos desconhecidos
aparecem de repente ou alguns daqueles com os quais estávamos acostumados, já não estão mais lá. A questão decisiva, no entanto, é: O essencial mudou? Até que ponto posso aprender algo novo através de uma
mudança?

Voltando ao exemplo: Talvez, com as novas condições de iluminação no recinto, eu veja as cores e os objetos numa nova luz… Talvez eu perceba que, justamente por causa da mudança, preciso concentrar mais minha atenção no foco que me levou àquele lugar e não me deixar distrair demais por detalhes do ambiente.

A mudança pode então ser um elemento desafiador e ao mesmo tempo estimulante, para que eu aprenda ou desenvolva algo novo. Mudanças trazem consigo rupturas, mas também criam oportunidades para novas aprendizagens.

Este é um ponto essencial da conversa de Nicodemos com Cristo. Como pode uma pessoa, sendo velha, nascer de novo?

Envelhecer muitas vezes significa ater-se demasiado a coisas que se conhece bem, com as quais se está familiarizado. Nascer de novo significa estar pronto para deixar o antigo – mesmo que só um pouquinho. Abrir mão dele, soltá-lo. E assim estar disponível para se envolver com a novidade trazida pelas mudanças. Ao mesmo tempo levantar a pergunta: O que posso aprender com isso?

Nicodemos conhecia a antiga e sólida lei mosaica, bem como sua forma tradicional de interpretação. Cristo não rejeita a essência espiritual da lei, mas ele espera que Nicodemos perceba que existem outros caminhos para acessar este conteúdo, além daquele que lhe é conhecido e confiável. Mas para tanto é preciso renascer. É preciso certa flexibilidade interna, boa dose de alegria diante do desconhecido e acima de tudo boa vontade em querer aprender algo novo. A isto, Cristo chama “aqueles que nascem do Espírito”.

“O vento sopra onde quer, tu não sabes de onde vem nem para onde vai.” Tais ventos sopram fortemente no mundo de hoje. Se nos ventos das mudanças sentimos tão somente incômodos, corremos o risco de nos apegarmos somente ao que nos é conhecido. Se notarmos, porém, que há nestes ventos certos desafios para ver e entender algumas coisas de maneira nova, damos então a nós mesmos a oportunidade de aprender algo. Damos ao Espírito a chance, que ele prepare em nós o novo nascimento.

Renato Gomes

Reflexão para domingo, 26 de maio de 2024

Referente à perícope do Evangelho de João 17, 6-11

Imagine um nascer do sol sereno sobre um lago tranquilo, onde a luz toca suavemente a água, criando um caminho dourado cintilante que leva ao horizonte. Essa imagem de beleza tranquila e conexão entre a terra e o céu pode nos lembrar da ligação divina entre o céu e a humanidade. Nesses momentos de esplendor da natureza, vislumbramos a profunda intimidade e unidade que Jesus compartilhou com o Pai celestial na assim chamada Oração Sacerdotal. Nela, temos uma rara oportunidade de ouvir Jesus orando ao Pai. Embora essa troca seja profundamente pessoal, tem implicações profundas para nós.
A missão de Jesus era salvar os perdidos e reuni-los com Deus. Em sua oração, Jesus conta como revelou o nome de Deus e deu a sua palavra à humanidade, marcando a conclusão de sua missão terrena à medida que se aproxima o seu retorno
à glória celestial. Refletindo sobre isso, devemos confrontar a condição das nossas próprias almas. Assim como os discípulos fraquejaram durante a paixão de Cristo, nós também somos frágeis e imperfeitos, sucumbindo muitas vezes ao medo e ao fracasso.
Enfrentamos desafios diários, oscilando entre o desânimo e um lampejo de fé. Podemos até questionar a necessidade de tornar a nossa fé conhecida aos outros. No entanto, a oração de Jesus nos oferece encorajamento. Através de sua missão na terra, Cristo criou um vínculo inquebrantável entre nós e Deus. Não estamos mais separados dele. Apesar das nossas fraquezas inerentes, Cristo em nós nos capacita a cumprir a nossa missão. O que parece impossível para nós se torna possível através dele.
Jesus intercede por nós, orando pela nossa unidade com Deus e nossa união uns com os outros. À medida que nos unimos também a Ele em oração, podemos confiar que Deus completará a sua obra de amor em nós e através de nós em todo o mundo. Assim como o nascer do sol sereno sobre o lago simboliza um novo dia e um caminho de luz, Cristo ilumina o nosso caminho em direção à redenção, não importa o quão distante esteja. 

 Carlos Maranhão

Reflexão para o domingo, 19 de maio de 2024

Referente à perícope do Evangelho de João 14, 23-31

Cristo e o Deus Pai enviam o Espírito Santo para a humanidade. Ele vai nos ensinar tudo e nos lembrar das palavras do Cristo. Como será esse ensinamento?

No Pentecostes, o Espírito Santo se derrama sobre a humanidade. Ele está presente em todos nós. Ao nos abrirmos para ele e prestarmos atenção para a sua atuação, perceberemos o que ele nos ensina sobre as palavras e a presença do Cristo. Desde a Ascensão, Cristo é profundamente ligado com a Terra. Temos a possibilidade de encontrá-lo em tudo. Nos momentos mais difíceis, nas crises e nas tristezas da vida ele está presente. Também nas alegrias e nos encontros humanos podemos encontrá-lo.

O Espírito Santo é o nosso guia para esse novo encontro com o Cristo.

Julian Rögge

Reflexão para domingo, 12 de maio de 2024

Ascensão de Cristo, do retábulo de Vyšší Brod

Quarenta anos no deserto foram necessários para que o povo israelita pudesse estabelecer uma nova relação com seu Deus antes de alcançar a terra prometida. Deixaram o Egito onde conviveram com a pluralidade de deuses da mitologia egípcia para iniciar uma vida regida pelas leis divinas recebidas por Moisés. Agora se tratava de que cada um, cada membro do povo israelita vivesse de acordo com a lei em respeito e temor ao seu único Deus, Jahwe, na expectativa da vinda do único Messias. A relação com Deus vai se tornando uma relação de EU e TU. Assim vai se formando a alma individual, ela sendo predestinada a dar a luz ao Espírito Divino em si, ao EU SOU. Pelo EU SOU vai se estabelecendo a relação individual da alma humana com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo, com o Verbo primordial.

Quarenta dias foram necessários para que os discípulos de Jesus, nos encontros com o Ressuscitado fossem estabelecendo uma nova relação espiritual com o Cristo. Relação essa que vai se configurar como a relação com o Filho de Deus, o princípio ativo do Verbo primordial divino. A entidade divina mais transcendente vem a se manifestar no mundo sensível ensinando os discípulos como superar a morte da matéria.

Quando o Filho de Deus ascende aos céus para incorporar toda a Terra na sua obra de renovação e transformação, Ele escapa da vista restrita dos discípulos. Depois da Ascensão os discípulos o perdem de vista e uma profunda tristeza se apodera deles, uma profunda dor. Uma dor que os leva a se retrair para dentro de si. Dor que vai se revelar como as contrações do nascimento de um novo membro na alma humana, o EU SOU divino.

No EU SOU se manifesta no mundo temporal terrestre, na alma humana o Espírito eterno, a chama primordial de amor e sacrifício. Quando ela se rompe da alma dos discípulos é a chama de Pentecostes, que então vai começar a pular para outras almas fervorosas.

Os discípulos deixam de ser seguidores de Cristo para serem apóstolos, enviados do Cristo, continuando a sua obra de salvação e cura.

Nascemos no mundo sensível por obra do Pai, pela morte encontramos o Cristo para podermos despertar como Homem Espírito. Isto já aconteceu, isto pode continuar a acontecer apesar de todas as crises e catástrofes que não assolam!

Helena Otterspeer