Reflexão para o domingo, 2 de fevereiro

Referente à perícope do Evangelho de João 5, 1-16 

Em um lago calmo, as águas parecem paradas. A superfície reflete o céu como um espelho, sem nenhuma alteração. Mas, no fundo, tudo está estagnado: as folhas caídas se decompõem lentamente, e a água, sem movimento, fica turva. Somente quando o vento sopra ou a chuva cai, a água é agitada e renovada.
É assim que fica a nossa alma quando a deixamos na passividade. Acostumamo-nos à inércia, às nossas feridas, à rotina das nossas limitações.
No Evangelho de João, Jesus encontra um homem doente perto de um lago. Durante 38 anos ele esperou por um milagre, mas nunca deu o passo decisivo. Então Jesus lhe perguntou: “Você quer ser curado?” A questão é intrigante. Quem não gostaria de ser curado? Mas Jesus não fala apenas do seu corpo, mas do seu coração.
Existem duas condições para a cura: primeiro, reconhecer que estamos doentes. Às vezes, preferimos permanecer no que é conhecido, mesmo que isso nos machuque. Segundo, confiar na força de Cristo para nos levantar. Jesus não lhe dá longas explicações, apenas lhe diz: “Levanta-te, pega o teu leito e anda.” E o homem, sem hesitar, obedece. O milagre começa quando ele ousa acreditar. Antes que ele se mova fisicamente, seu interior já mudou.
Hoje, Jesus nos pergunta a mesma coisa: “Você quer ser curado?” E nos convida a sair da nossa passividade, a deixar de ser como água estagnada. Sua palavra é como o vento que nos desperta e nos move. Ele nos diz: “Levante-se e ande.” A decisão é nossa.

 Carlos Maranhão