Reflexão para o domingo, 5 de setembro

Referente ao perícope de Lucas 10, 1-12

EU vos envio, pois a colheita é grande!

– Onde está a colheita, Senhor?

Em todos os lugares, nas cidades e nas aldeias, nos salões e nos casebres, nos gabinetes e nas fábricas, nas escolas, nos hospitais, nas ruas, nas praças…

– O que há para colher? Vemos somente dor, dúvida, divisão…

Quem enche seu alforje com discórdia, quem acumula em sua bolsa desavenças, fica sem espaço para os bons frutos da colheita…

Melhor irdes sem alforje e sem bolsa, com as mãos livres para colher (e acolher) o que encontrardes pelo caminho.

– Como saber o que colher, se tampouco sabemos qual o caminho…

O caminho é aquele que vossos pés indicarem. Melhor será mantê-los descalçados, sensíveis ao toque do chão, para perceber assim o que a terra tem a dizer.

– … mas e a colheita? e os frutos?

Apenas um: a paz!

– Como encontrar paz, se lobos uivam por todos os lados…

Os uivos dos lobos, pertencem aos lobos e mesmo que ameacem e devorem cordeiros, eles não se tornam cordeiros. O cordeiro se faz a partir de dentro.

– Ainda assim, Senhor, não será fácil encontrar paz na turba agitada…

Se o cordeiro em vós estiver presente, não importa o lugar, não importam as circunstâncias, a palavra que pronunciardes carregará a paz.

– Haverá acaso alguém para escutá-la?

A palavra-paz ecoa apenas no ouvido do cordeiro, o ouvido do lobo é surdo para ela.

– E como faremos, para trazer a paz, fruto da colheita?

Não deveis trazê-la! Deveis replantá-la, replicá-la ali mesmo onde ela amadureceu.

– Como isto será possível?

Quando a palavra-paz é acolhida na terra boa, que é o ouvido e o coração do cordeiro; tal palavra sana, consola, orienta e estimula o ser humano a querer tornar-se obreiro, disposto a arregaçar as mangas para o trabalho, sem medo do uivo dos lobos. Pois a colheita é grande!

Renato Gomes